Odoyá
Os barcos saem vestidos de azul e branco. Não há no mundo flor branca que não saiba que hoje é o dia de Janaína, a rainha do mar. O povo se vira em uma grande saia rodada, girando no toque do rum de Yemanjá. Sua natureza: marzão, as espumas, caldo da vida. Dona do inconsciente, ela é o que de nós não teme se olhar. Vão com ela todos os marinheiros que naufragam. A sereia com qual todos nós um dia vamos nos casar. Nosso mistério mais antigo do fundo do mar. A mãe salgada que vive também na lágrima que depura alguma coisa que precisa transmutar. Um feminino mais forte e o doce que há no salgado. Eu gosto de Odoyá.
Quadro de @jorgegrisi

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