Poor things

Tenho um bebê de dois anos e meio (não sei se ainda é classificado bebê, mas para mim ainda é). Bella me lembrou muito ele. A urgência da realização do desejo, a ausência do filtro moral. Claro, Bella não é só bebê. É bebê, jovem, mulher madura. Mas a necessidade de experimentar a vida é toda a energia do bebê. Uma necessidade que não aceita limites. Se houver, bate, cospe, morde, quebra, grita, lambe, ri. Exige com os recursos que têm. Recursos mais rústicos, mas mais puros, que os dos adultos. Persuasão, manipulação. Recursos, que, por sua vez, não funcionam com ela, como não funcionam com meu filho.

Bella tem cérebro de criança, mas corpo de mulher e sua pureza nas atitudes, ainda que, muitas vezes, imoral, arrasta, apaixona, enlouquece. Para funcionarmos em coletivo, vamos nós adultos limitando quase tudo que em nos é espontâneo. Então, a liberdade de ser de Bella é algo do qual não queremos nos desgrudar. Bella descobre o prazer e goza, de todas as formas que quer. Ela arrasta. Ela quer a beleza da vida e descredita quando vê que a maldade existe. A maldade existe. 

Bella quer ser por si mesma e é. Os homens da história tentam se agarrar a sua pulsão de vida, tentam prendê-la, com mais ou menos perversidade. Ela não se rende. Eles surtam. Parece que querem sorver, o que, da liberdade aparente deles, é mentira. A cafetina se assemelha a estes.

Mas tem um homem que não. Ele também é arrastado, mas seu impulso para perversão é baixo. Ele é fofo. Além dele, tem a mulher do navio e a amiga amante prostituta, que partilham com ela o caminho da autenticidade.

Bella me dá esperança e valida um pouco do meu caminho. 

Minhas cenas favoritas:

- quando ela aprende a se masturbar

- quando ela vê uma mulher cantando fado

- a cena em que um dos amantes joga seu livro ao mar e a amiga lhe dá outro, imediatamente

- quando ela deita e chora por ter visto a maldade

- a última cena

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