Barco
Ali no espelho, ela não vê nada além de um barco em alto mar. Não faz tempo bom, mas há beleza de sobra. Isso lhe dá coragem. O que lhe parece belo são os cinzas, azuis, o verde e até um amarelo das nuvens em movimento de temporal. Não há contorno, só mistura. Não há futuro, só respiração. As ondas parecem montanhas em vertigem, a se derreterem e se levantarem em segundos. O ar é vento e está impregnado de sal e gelo. O medo é de morrer e a coragem também. O coração se aquieta quando ela pensa: “Estou aqui. Isso é real. Eu vivo enquanto estou”. Ela se vê calma no meio de si. Uma sensação de reza lhe passa pelos pés. Seus olhos são o barco lhe reconhecendo sem piscar. Ela entra nele.
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