Foz
É uma manhã comum, mas percebo lágrimas lentas no meu rosto, são gotas na janela do carro em uma noite de chuva.
Elas não me surpreendem por aparecerem, mas por serem doces. Elas continuam salgadas como todas as lágrimas. No entanto, eu as sinto doces. Gosto de senti-las. São minhas, é doce me ver em estado de mar. É doce morrer no mar, diria Dorival Caymmi.
Abro caminho em mim para sentir essas águas de foz. O que encerra seu caminho se fundindo em outra nova realidade. Mergulho e minha boca sente ao mesmo tempo o rio e o mar.
Ainda há em mim a água do rio, mas já não é mais possível me ver assim. Não é possível enxergar, no mar, os rios dentro dele. Ainda que estejam lá, agora vivem em nova substância.
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